A Bici Trip nasceu com uma proposta de cicloturismo, e essa continua sendo a nossa essência: viajar de bicicleta, e não praticar ciclismo de performance.
Ao longo dos anos, porém, vimos muitos Bicitrippers ganharem experiência, confiança e vontade de ir um pouco além. Por isso, fomos incorporando à curadoria alguns destinos que trazem um desafio maior — seja pela altimetria, pelo terreno ou por uma condução mais técnica.
Maiorca, Córsega e Toscana fazem parte desse grupo. Na nossa classificação, são jornadas moderado-desafiadoras, de nível 4/4. Mas estar no mesmo nível não significa apresentar o mesmo tipo de dificuldade. Em algumas, o desafio está mais nas subidas e na altimetria; em outras, nas descidas, nas estradas sinuosas ou na mudança de terreno.
E é justamente isso que diferencia essas três jornadas: todas pedem um pouco mais de experiência sobre a bicicleta, mas cada uma desafia o ciclista de uma maneira diferente.
Maiorca: pedalar em uma das mecas do ciclismo europeu
Chamar Maiorca de uma das mecas do ciclismo europeu não é exagero. Todos os anos, milhares de ciclistas viajam até a ilha especialmente para pedalar, e estimativas do setor já apontaram um fluxo superior a 150 mil cicloturistas por ano. Durante os meses mais favoráveis ao ciclismo, a presença das bikes nas estradas é tão marcante que ajuda a mudar a própria dinâmica do destino.



E a ilha se estruturou em torno disso. Maiorca tem mais de 2 mil quilômetros de estradas e vias locais e uma rede de serviços especializada em receber ciclistas. São mais de 120 hotéis preparados para esse público, além de lojas, aluguel e manutenção de bicicletas, serviços especializados e uma estrutura que recebe desde cicloturistas até equipes profissionais que escolhem a ilha para períodos de treinamento.
É nesse ambiente que acontece a jornada da Bici Trip. O grande protagonista é a Serra de Tramuntana, cadeia montanhosa que atravessa parte da ilha e concentra algumas de suas estradas mais conhecidas.
Um dos pedais segue até o Cap de Formentor, passando pelo Mirador Es Colomer em uma estrada recortada pelas montanhas e pelo Mediterrâneo. São 62 quilômetros e 1.157 metros de altimetria. No dia seguinte, a travessia da Tramuntana chega a 1.300 metros de elevação em 50 quilômetros, entre subidas, curvas e descidas.

São números que ajudam a dimensionar a experiência, mas Maiorca vai além deles. Há algo muito particular em pedalar por uma ilha onde a bicicleta está por toda parte: nos cafés frequentados por ciclistas, nas lojas especializadas, nos grupos que cruzam as estradas e na própria estrutura criada para quem viaja até ali com o objetivo de pedalar.
Para quem gosta do universo da bicicleta, Maiorca talvez seja a experiência mais “ciclística” entre os três destinos. O desafio das montanhas acontece dentro de um território que respira ciclismo.
Córsega: uma ilha onde mar e montanha quase nunca se separam

A Córsega tem outra personalidade. Aqui, a experiência é marcada por uma geografia mais selvagem, em que montanhas escarpadas se aproximam do Mediterrâneo e fazem com que o cenário mude constantemente ao longo do pedal.
Essa configuração aparece diretamente nas estradas. Em vez de grandes trechos uniformes, elas acompanham o desenho da ilha, contornando montanhas, atravessando pequenos vilarejos e avançando pela costa em uma sequência de curvas, subidas e descidas.
É essa sucessão de mudanças de relevo que traz a exigência da jornada. Um dos dias mais representativos acontece entre Patrimonio, Nonza e Saint-Florent: são 64 quilômetros e mais de mil metros de altimetria por estradas costeiras do Cap Corse, com o Mediterrâneo acompanhando boa parte do percurso.
Depois, a rota entra na Balagne, onde pequenas estradas pouco movimentadas conectam vilarejos como Pigna, Aregno e Cateri, antes de voltar à costa na região de Calvi.
Na Córsega, um dos pontos que mais pede segurança sobre a bicicleta são as descidas longas e sinuosas. Elas acompanham o desenho das montanhas e fazem parte da experiência tanto quanto as subidas. Não é uma questão de buscar velocidade, mas de ter confiança para conduzir a bicicleta enquanto o terreno muda.



Se Maiorca tem uma atmosfera profundamente ligada ao ciclismo, a Córsega chama atenção pela sensação de atravessar um território mais bruto e geograficamente diverso. O desafio aqui acompanha a própria natureza da ilha.
Toscana: quando o desafio sai do asfalto
Na Toscana, a experiência muda novamente. As colinas continuam trazendo altimetria para o pedal, mas o que realmente diferencia essa jornada são as strade bianche: as tradicionais estradas de cascalho branco que atravessam vinhedos, ciprestes e algumas das paisagens mais reconhecíveis da região.

É por causa dessa alternância entre asfalto e cascalho que a jornada da Bici Trip pela Toscana é feita de MTB, tanto na versão convencional quanto elétrica. A bicicleta é mais adequada ao terreno e permite atravessar as strade bianche com maior segurança e controle.
Ao longo da viagem, esses caminhos aparecem em diferentes momentos. O roteiro atravessa o Chianti Classico, chega a Siena de bicicleta, passa pelas Crete Senesi e segue até Montalcino. Em um dos dias mais exigentes, são 58 quilômetros e 1.200 metros de altimetria. Em outros, o cascalho se mistura às subidas e descidas das colinas toscanas.
Pedalar nas strade bianche é diferente de pedalar apenas no asfalto. A superfície muda a sensação sobre a bicicleta e pede mais atenção à condução, principalmente nas descidas. Por isso, a experiência prévia continua sendo importante, mesmo utilizando uma e-bike.



Entre os três destinos, a Toscana oferece talvez a mudança mais evidente de terreno. O desafio não vem apenas de subir as colinas, mas de alternar asfalto e cascalho ao longo da jornada, usando a MTB para atravessar uma paisagem profundamente ligada à história do ciclismo da região.
E-bike não é atalho: é escolha

Por muito tempo, a bicicleta elétrica carregou uma imagem de bicicleta pesada, pouco esportiva ou de uma alternativa para quem “não consegue” pedalar. As e-bikes atuais estão cada vez mais distantes dessa ideia.
Elas ficaram mais leves, modernas e naturais de conduzir. Em vários destinos, a Bici Trip utiliza suas próprias e-bikes, escolhidas justamente para oferecer uma experiência de pedal próxima à de uma bicicleta convencional, mas com uma diferença importante: a possibilidade de dosar a assistência.
Isso significa que usar uma e-bike não é necessariamente passar o dia inteiro com o motor ajudando. Há Bicitrippers que fazem boa parte do percurso com a assistência desligada ou no modo Eco e aumentam somente quando sentem necessidade: em uma subida mais longa, no final do dia ou simplesmente para acompanhar alguém que pedala em outro ritmo.
E é justamente aí que a e-bike se torna interessante, ela não determina quanto desafio uma pessoa terá. Ela permite escolher.
Em uma subida, alguém pode decidir fazer todo o trecho com pouca ou nenhuma assistência. Em outro momento, pode aumentar o auxílio e preservar energia. O terreno continua ali, assim como as curvas, as descidas, a necessidade de pedalar e de conduzir a bicicleta com segurança.
Nos destinos nível 4, essa possibilidade amplia quem consegue compartilhar a mesma experiência sem transformar todos os participantes em ciclistas com o mesmo condicionamento.
Então, é preciso ser atleta para fazer uma jornada nível 4?
Não. Mas talvez seja mais fácil entender essa resposta olhando para quem é o Bicitripper.
Uma jornada da Bici Trip continua sendo uma viagem de cicloturismo. Há pedal, mas também há boas pausas pelo caminho, almoços, experiências, hotéis confortáveis e excelentes restaurantes no fim do dia. Ninguém está ali para competir, bater recordes ou provar quem chegou primeiro.
Ao mesmo tempo, em Maiorca, Córsega e Toscana, é importante chegar com uma base. Ter uma vida ativa, já pedalar e, principalmente, sentir segurança sobre a bicicleta continuam sendo pré-requisitos para aproveitar esses percursos.
E isso não significa que todas as pessoas do grupo precisam ter o mesmo nível.
Uma situação bastante comum ajuda a explicar: imagine um casal em que uma pessoa é ciclista habitual, treina durante a semana e quer aproveitar as subidas de Maiorca em uma bicicleta convencional. A outra pedala mais aos finais de semana e prefere utilizar uma e-bike para ajustar o esforço nos trechos mais exigentes.
Os dois podem compartilhar a mesma jornada, pedalar juntos, chegar aos mesmos lugares e viver as mesmas experiências. A diferença é que cada um encontra o seu próprio nível de desafio sobre a bicicleta.
É essa combinação que está por trás da ideia de que não é necessário ser atleta. O objetivo não é nivelar todo mundo pelo mesmo desempenho, mas criar condições para que pessoas com experiências diferentes possam dividir a estrada.
Qual desses desafios combina mais com você?
Os três destinos estão no nível 4/4, mas agora a diferença entre eles fica mais clara.
Maiorca é para quem se imagina pedalando no coração de um dos grandes destinos do ciclismo europeu, enfrentando as montanhas da Serra de Tramuntana em meio a uma cultura que gira em torno da bicicleta.
Córsega traz uma experiência mais ligada à geografia da ilha, com o Mediterrâneo e as montanhas dividindo o cenário enquanto as estradas sinuosas mudam constantemente de relevo.
Toscana acrescenta um desafio diferente: sair do asfalto e encarar as strade bianche de MTB, alternando cascalho, colinas e estradas entre vinhedos e pequenos vilarejos.
No fim, escolher entre os três não é apenas decidir quanto você quer se desafiar, mas entender que tipo de desafio gostaria de encontrar pelo caminho.
CLIQUE AQUI e conheça as jornadas da Bici Trip por Maiorca, Córsega e Toscana e descubra qual delas combina mais com o seu momento sobre a bicicleta.